'Que diferença faz?', a história do maior ambientalista brasileiro

12/02/2019

Em 2019, a morte do ambientalista e ativista político Chico Mendes completa 31 anos. Francisco Alves Mendes Filho, como foi batizado, nasceu em 1944 na cidade de Xapuri, no estado do Acre, e ganhou reconhecimento internacional por sua luta pela conservação da Amazônia.

 

Chico Mendes passou a infância ao lado do pai seringueiro, com quem aprendeu logo cedo os ofícios da profissão. Inquieto, o jovem sempre questionou as condições precárias de trabalho no ambiente rural e fez questão de aprender a ler, mesmo com a falta de escolas na região onde cresceu. Em 1975, incomodado com a truculência dos fazendeiros e donos de seringais, Chico passou a integrar diretoria do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia, cidade vizinha à Xapuri, sua terra natal. Dois anos depois, em 1977, ajudou a criar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, instituição que passaria a dirigir em 1983.

 

A luta travada por Chico Mendes pelos direitos dos trabalhadores rurais se fundiu a causas ambientais defendidas pelo seringueiro. Ele acabou se tornando um dos principais entusiastas brasileiros pela preservação da Amazônia. Sempre combativo, Chico questionou a exploração desenfreada da floresta pelo agronegócio e propôs modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, que mantivessem a Amazônia conservada e gerassem renda para as comunidades rurais. Os posicionamentos do ativista despertaram a ira de grandes fazendeiros, que passaram a ameaçar constantemente Chico Mendes.

 

 Chico Mendes. Imagem: Agência Acre/Arquivo.

 

Liderança em destaque no Norte do Brasil, Chico ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores em 1980, onde permaneceu filiado até sua morte. Durante aquela década, o ambientalista participou ativamente de articulações em prol dos indígenas, ribeirinhos e extrativistas. Junto a essas comunidades, que dependiam da Amazônia preservada para sua subsistência, Chico Mendes propôs o modelo de Reserva Extrativista, que acabou sendo adotado pelo governo brasileiro e se tornou referência mundial em sustentabilidade.

 

As Reservas Extrativistas são áreas protegidas pelo Estado, que só podem ser exploradas por populações tradicionais de suas regiões. São autorizadas atividades de extrativismo, agricultura de subsistência e pequenas criações de animais. O objetivo dessas reservas é promover o uso sustentável dos recursos naturais, assim como preservar a cultura e o estilo de vida das comunidades envolvidas.

 

Chico Mendes foi premiado pela ONU e reconhecido internacionalmente por seu trabalho em prol da Amazônia e suas comunidades tradicionais. Em 1988, Chico denunciou a intensificação das ameaças de morte que vinha sofrendo dos ruralistas. No mesmo ano, o ambientalista foi vítima de uma emboscada e assassinado a tiros na frente de sua casa. O mandante do crime foi Darly Alves, um fazendeiro da região envolvido em grilagem de terras. A comoção gerada pelo assassinato e a pressão da comunidade internacional fizeram com que os envolvidos fossem identificados e condenados à prisão, o que era pouco comum em casos de crimes ocorridos no campo.

 

Mesmo após sua morte, Chico Mendes continua sendo o mais importante ambientalista brasileiro e um dos mais conhecidos do mundo. Seu trabalho é considerado pioneiro no debate sobre sustentabilidade no Brasil, em uma época em que o assunto era pouco conhecido no país.

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